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sexta-feira, 16 de março de 2012

♪ eu não sou daqui ♪

                                            

meu marido tem alguns amigos, amigos mesmo, do tempo do ginasial (pra quem é novinho: ginásio corresponde à parte final do ensino fundamental, da 4ª à 8ª série) e colegial, do colégio conde josé vicente de azevedo, no bosque da saúde, aqui em são paulo.
quando se encontram ficam se lembrando dos colegas, dos professores, dos "causos"...

agora ele e mais 2 vão fazer um blog que será meio que uma continuação de um jornal que editavam lá na época do colegial, guardadas as diferenças de época, de arrebatamento, de liberdade de expressão e por aí vai. até o nome será o mesmo.

confesso que morro de inveja dessas amizades de tantos décadas, que continuam fortes a ponto de partilhar um blog.

eu nasci na casa do meu avô paterno, em colina, numa grande fazenda onde ele tinha um armazém - que era chamado de "venda" -  que vendia de tudo um pouco aos colonos.

depois dessa fazenda, e até os 7 anos, morei em casas de colônias em outras fazendas, ou em sítios isolados. aos 7 anos fui pra cidade, onde fiquei por  cerca de 1ano e fiz o 1º ano primário. não consegui estabelecer nenhum vínculo com nenhum desses lugares, porque foi muito pouco tempo em cada um.

aos 8 vim pra são paulo e fui morar na zona norte, no jardim brasil, onde terminei o primário e fiz o ginásio. eu não era paulistana, e não me sentia assim. ali não era o meu lugar.

depois fui estudar em santana, com uma turma completamente nova, e ali também não era o meu lugar, eu só estava lá.

então, eu sinto que, tanto criança quanto adolescente, eu estive de passagem nos lugares, ou assim me senti, e acho que foi isso que atrapalhou minhas amizades e bloqueou minha memória.

eu me lembro de pouquíssimas pessoas que estudaram comigo, de pouquíssimos professores, e é como se todo aquele período se resumisse a um rápido trailer, com pouquíssimas cenas meio desfocadas e atores sem rosto.

aliás, na minha toda tem sido assim. eu nasci e morei 7 anos em colina, mas nunca me senti colinense; morei dos 8 aos 31 em são paulo e não era paulistana, aliás, odiava a cidade; fiquei em são joão da boa vista 2 anos e nunca fui sãojoanense; em itu foram 16 anos sem ser ituana; desde 2006 de volta a são paulo, estou começando agora a gostar da cidade e, quem sabe, a me tornar paulistana.

será que dessa vez vai?




segunda-feira, 10 de maio de 2010

dálias, boas lembranças e uma ruga antiga




dálias me lembram infância, e infância me lembra interior, mas aquele interior de roça mesmo, que é onde eu morava quando era criança.

numa das muitas casas que morei - eu sou meio nômade desde bebê: foram 11 casas em 2 cidades quando solteira, e 10 casas em 3 cidades depois de casada - tinha um jardim em frente, cheio de dálias de várias cores.

acho que era uma flor dessas bem ordinárias, que todo mundo tinha - todo mundo pobre, é claro - mas eu achava tão lindas! principalmente as vermelhas, que tinham as pétalas meio aveludadas...

uma das minhas imagens recorrentes de infância é em frente a esse jardinzinho, não sei por que.

imaginem então a minha felicidade quando vi, na barraca de feira onde compro flores, essas dálias vermelhas maravilhosas! comprei imediatamente, e passei uns dias olhando pra elas e vendo ao lado uma menina magrinha, meio emburrada, de olhos grandes e cabelos compridos...











essa foto é de uma época posterior (coisa de um ano), quando já morávamos na cidade. lá papai teve um restaurante (vejam os engradados de bebidas - e as varas de pesca para os finais de semana, é claro!) que durou pouquíssimo tempo e acabou falindo, pq ele sempre foi um ótimo empregado, mas um péssimo empresário.
quando eu olho pra ela percebo mesmo que nem todo o botox do mundo vai ser capaz de eliminar essa ruga vertical que tenho entre as sobrancelhas - ela vem se forjando há muuuitos anos!!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

nós somos persistentes

há exatos 31 anos eu rompi um relacionamento que se arrastava por 6 anos e comecei a namorar meu marido.

2 noites antes, no meu aniversário, eu havia dado uma festa ótima - fiz estrogonofe - na casa de um amigo, com um monte de gente, inclusive o namorado.

depois, de madrugada, já deitada, eu comecei a sentir uma solidão estranha, e percebi que estava sentindo falta de uma pessoa que não esteve lá: lu, o agora marido.

nós havíamos nos conhecido 2 meses antes, quando eu comecei a trabalhar no departamento jurídico da caixa econômica federal. foi uma empatia mútua instantânea. nos víamos todos os dias, almoçávamos juntos, mas sempre com mais um monte de gente, nunca sozinhos.

um advogado bem jovem, f., já estava até dizendo que a gente namorava e não sabia.
a s., que trabalhava na sala comigo - e veio a ser nossa madrinha de casamento -, estava preocupada, dizendo que ele ia estragar o meu noivado (eu estava noiva, ia me casar daí a alguns meses).

ele, o lu, namorava uma menina que também trabalhava na cef, em outro prédio (eu nunca a conheci), mas era um namoro que tinha começado há menos tempo e era menos sério que o meu.


passei a madrugada de sábado e o domingo inteiro remoendo aquela sensação esquisita, e na segunda feira já tinha tomado a minha decisão.

logo cedo ele apareceu na minha sala com um presente de aniversário - o livro "zorba, o grego" - e uma caixinha de fósforos (eu fumava), onde ele escreveu um trechinho da música "joão e maria", do chico buarque, aquele que diz: e você era a princesa que eu fiz coroar, e era tão linda de se admirar, que andava nua pelo meu país.

bom, aí juntou a fome com a vontade de comer, né? joguei meu noivado pro alto, começamos a namorar, casamos, tivemos 3 filhos, 1 neto, passamos por altos e baixos, mas ainda estamos aí, juntos pro que der e vier!

e "joão e maria" até hoje é a nossa música...



1978



2009