
zélia, pelos olhos - e traços - do meu netinho
há pouco mais de 1 hora faleceu uma amiga.
ela descobriu um câncer de pulmão, com metátase óssea, alguns anos atrás. operou e, graças a um desses medicamentos de ponta, viveu muito bem - e intensamente - o seu tempo final. tinha algumas restrições, como não poder pegar peso - o que incluía sua neta, andar com uma certa claudicação...
por conta da quimioterapia perdeu os cabelos, mas recuperou parte deles (nos últimos meses, e não sei porque não antes, estava usando uma peruquinha muito bonitinha); em virtude de tratamentos complementares com corticóides, ganhou muito peso, ficou inchada durante um período, mas já havia se recuperado.
nada disso a impediu de viajar, de sair todos os finais de semana para almoçar, para jantar. o seu pique, às vezes, era maior que o dos amigos.
o último mês, entretanto, parece ter sido horrível, e a família optou por não compartilhá-lo.
nós não nos víamos muito. saíamos p/ jantar ou churrasqueávamos quando eu ia prá minha casa no interior, e nos últimos tempos eu não tenho ido com frequência.
quando eu estive lá no final do ano parece que nos despedimos: eu e o marido passamos uma tarde com ela e o marido, tomamos café, comemos bolo, e eu a deixei lavar as 4 xícaras, sob o olhar reprovador do marido, que não lhe permite - permitia, desculpe - essas pequeninas extravagâncias.
ela me disse que ficou muito feliz, pq. se sentia capaz de fazer isso, mas sempre havia alguém por perto e não deixava.
na noite seguinte ela foi à minha casa, ver o meu neto, que ela adora - adorava. sentou-se no sofá e eu o coloquei no colo dela por alguns minutos. ela abraçou-o gostoooso! foi uma despedida e eu não sabia...
ontem à noite eu fiquei sabendo que ela vai - ia - ser vovó novamente. deixei um post-it no monitor, prá ligar hoje para a filha dele, parabenizando-a. não deu tempo.
agora ela se foi e, por mais que eu soubesse que isso ia acontecer, por mais que eu estivesse pronta, não consigo parar de chorar, não consigo deixar de ficar triste. a morte é uma merda mesmo!
prá quem agora a gente vai fazer picanha sola de sapato nos churrascos, heim, dona zélia?